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meu coração é Seu, Paulo! mas minha alma é carioca <3

adoro observar de longe, ver turistas de primeira viagem, vomitarem idiotices do Rio e de São Paulo. rio por dentro, e não me calo. até porque esse é um dos meus hobbys preferidos: gritar ao “mundo paulistano” o quanto eu amo o Rio de Janeiro e defender São Paulo com unhas e dentes de qualquer carioca marrento e folgado que resolva ofendê-la.

sou paulista, mas podem me chamar de paulistana: passo mais de 2 horas por dia no trânsito, tenho surtos de ódio e amor pela cidade, esqueço os plurais, estou acostumada com garçons me paparicando e vejo padarias a cada esquina. quando criança passava pela Avenida Paulista, olhava pro alto, para os prédios e pensava: quero trabalhar aqui e vestir terninho. eu tinha grandes chances de dar certo na vida, até que resolvi ser jornalista e conhecer o Rio de Janeiro. foi tardio, lá pelos 19 anos.

na verdade eu relutava, sabia que não teria volta. na primeira vez que pisei no Rio, via Santos Dumont, desci na pista e senti aquele bafo quente tocando meu rosto. a sensação diferente, não sabia descrever. minha sorte é que o Rio foi apresentado a mim por um carioca, da gema, de bom gosto e imparcial. um carioca alternativo. que ia à Lapa e também a Casa da Matriz.

conheci tudo. do mais importante ao irrelevante. seus pontos turísticos, seus lugares desprezíveis, a brega-chic Barra da Tijuca, os miolos do Humaitá, o Leblon das novelas, o bairro mais zona sul da zona norte: a Tijuca, e também o mais zona norte da zona sul, Botafogo. Fuçei o bairro Peixoto, aplaudi o pôr do sol no posto 9.

e entre tantas coisas descobri a sensação que tive lá no aeroporto: me senti brasileira, mais do que nunca. uma sensação estranha de orgulho do meus País, mas ao mesmo tempo algo que não me pertencia. angústia. como eu pude viver quase 20 anos sem conhecer aquela cidade?

gfew

Vista do Posto 9 por mim mesma e sem filtro (2011)

depois disso, “mermão”, foram incontáveis visitas. incontáveis MESMO. fiz mais pessoas se apaixonarem pelo Rio de Janeiro do que por mim. talvez porque eu o conheça mais “ele” do que a mim mesma. apresento o Rio, como menina que acabou de ganhar um quarto novo todo rosa. cada cantinho, cada história, e cada rachadura. sei sim da desigualdade social, da violência, da pobreza, do desemprego… mas quer saber? não vejo nada diferente, nem pra mais, nem pra menos, nem pra pior, nem pra melhor, do que vejo (ou não vejo) em São Paulo.

o Rio apenas é uma cidade muito menor, onde a favela está em todos os bairros e não só na periferia, e onde existe um enfoque maior da mídia em relação a isso. se um apartamento de alto luxo é assaltado em Ipanema, o Brasil fica sabendo. mas quantos mesmo estão sendo assaltados POR DIA na cidade de São Paulo? Em bairro luxuosos como Higienópolis ou Morumbi?

sem delongas, o Rio é uma cidade sem lei. você percebe isso apenas andando nos táxis que pipocam na cidade feito Fandangos. um táxi aqui, uma conversinha alí, uma refeição acolá e você começa a sentir saudade da dura poesia concreta das esquinas, da deselegância discreta das meninas…

é nítido o quão o Rio de Janeiro está a anos-luz de Sampa. os restaurantes de qualidade, o atendimento de qualidade, os hospitais de qualidade, os médicos de qualidade, os shoppings de qualidade, os táxis de qualidade, o trânsito de qualidade, a vida de… opa, PERA… então congestionei na Marginal Tietê numa sexta-feira e pensei: qual é o próximo feriado? será que vai ter promoção da Gol? de carro nem é tão longe e a Dutra nem é mais tão perigosa.

é isso. se eu ganhar na Mega Sena antes de sair viajando pelo mundo, faço uma proposta irrecusável num apê na Vieira Souto e fim, tá decidido! 😉